Lendas e Historias Ciganas.

Povo do Ventos.

A FAMíLIA DO CIGANO WLADIMIR.

Tudo que sabemos sobre a família do Cigano Wladimir é que, quando ele tinha três meses de vida, seus pais morreram. Sabemos que isso ocorreu em uma tragédia, mas não sabemos como ela se deu; isso é um mistério guardado a sete chaves
Sabemos que a família era numerosa, mas só escaparam da tragédia a Cigana Wlanira e seus irmãos gêmeos, Wladimir e Wlanasha. Foi Wlanira quem criou as crianças, dando-lhes o carinho e o amor de irmã e de mãe. Ela se juntou a um grupo de nômades e formou com eles uma só família cigana no mundo
O tempo passou e os gêmeos cresceram. Ao completar 13 anos, Wlanasha casou-se com o Cigano Turmanof e, nos anos seguintes, teve três filhos: Ludimilha, Úrsula e Revek Turmanof
Seis anos depois do casamento da irmã, quando já contava 19 anos de idade, Wladimir veio a se casar com a Cigana Singuala, seguindo as antigas tradições e o ritual cigano. Após um ano de casamento, nasceu sua filha Raiza Singuala e, três anos depois, o menino Wladivisk, assim formou-se a família do Cigano Wladimir
Raiza Singuala não chegou a se casar, pois fez a passagem com 13 anos. Wladivisk também não formou família, pois desencarnou cedo, com 18 anos. Por coincidência, ele passou para o mundo espiritual no mesmo dia em que a irmã havia falecido anos antes
Os filhos de Wlanasha construíram novas famílias. Ludimilha casou-se com o Cigano Baruque e teve um filho que se chamou Landufo
Úrsula casou-se com o Cigano Nabel e deu à luz onze filhos. O primeiro foi Helânio. Depois vieram, pela ordem de nascimento, a menina Indra; o menino Latâncio; as meninas Urânia, Ruda e as gêmeas Nadja e Inajá; os meninos Narciso e Pompilho; a menina Romana e o menino Laio
Revek Turmanof casou-se com a Cigana Iudi, que deu à luz cinco filhos, na seguinte ordem: as meninas Roshana e Zarda, o menino Zuriel e as meninas Hosana e Islena
CIGANO WLADIMIR

Era moreno-claro, de olhos e cabelos pretos
SUAS ROUPAS
Wladimir usava roupas diferentes, conforme a fase da lua. O detalhe constante nessas roupas é que a calça era sempre da mesma cor do colete de veludo que ele vestia por cima da blusa. Na Lua cheia ele usava blusão vermelho com colete e calça azul-turquesa; na Lua crescente, blusão branco, colete e calça brancos rebordados com fios de prata; na Lua nova, blusão azul-turquesa, colete e calça vermelhos rebordados com pedras coloridas; e, na Lua minguante, blusão branco de mangas compridas, colete e calça marrons e uma faixa branca na cintura.
Em todas as fases da Lua ele usava na cintura uma faixa branca, na qual trazia o seu punhal de prata
SEUS ADEREÇOS

O lenço que Wladimir usava na cabeça era de cores diferentes, conforme a fase da Lua. Era azul na Lua cheia, branco no quarto crescente e vermelho na Lua nova
Na orelha esquerda ele trazia uma argola de ouro e, no pescoço, um cordão de ouro com um medalhão antigo de seu clã
SUA MAGIA

O Cigano Wladimir aprendeu a tocar violino com seis anos de idade. Hoje, quando chega à Terra como espírito,pede logo o seu violino e começa a tocar antigas músicas eslavas
Um detalhe importante: quem tem esse Cigano na aura não precisa saber tocar violino, pois, ao chegar, ele traz a essência da música. Esse é o mistério de Wladimir.

Trecho retirado do livro: “Ciganos do Passado, Espíritos do Presente – Ana da Cigana Natasha- PALLAS EDTORA. Colaboração e Pesquisa: Silvia Maya.

Cigana Zaira.

Espanha! Terra de sonho, sol, flores e músicas, das roupas coloridas do meu povo.
Um príncipe saía escondido do castelo vestindo roupas de plebeu. Ele queria estar entre os ciganos e assim o fez. Juntou-se aos ciganos e começou a dançar ao som da música e da alegria desse povo. Nesta hora, passou a cigana Zaira e disse:
_Vamos dançar.
Ao passar perto dos vinhos, pegou uma caneca para ela e outra para ele. O príncipe, que naquela hora era um plebeu, disse que, ali, até o vinho comum lhe parecia infinitamente melhor do que o da sua adega.
Zaira rodopiava, mergulhada na musica. Nos braços dele, seu corpo jovem e belo parecia ter asas e em seu rosto havia satisfação. Olhando-a, o príncipe falou:
_Como te chamas, cigana bela? -Sou Zaira- disse-lhe ela. - E tu como te chamas?
_ meu nome é Sol. Ela alisou-lhe o rosto com suavidade e disse:
_Não és cigano, quem és? - Não sou cigano, sou um pobre-coitado.
Ela riu e disse: - Não nos deixaremos mais. Virás conosco; se não és ninguém, podes ser cigano. Ele sorriu, pensando:" se eu pudesse"! Mas, por que não? Talvez fosse possível ficar uns tempos com eles; seria fascinante. A esta altura, ele não se conteve. levou-a para um lugar deserto e, no campo ermo, á luz das estrelas e da Lua, amaram-se loucamente.
Os encontros dos dois foram muitos, até que um dia ela disse: Iremos levantar acampamento amanhã. Mas ele não poderia ir. A cigana continuou: - Tu és fidalgo,mas te quero assim mesmo. Vem conosco.
Mas ele disse: - Nada vou te esconder de minha parte. Eu sou o príncipe herdeiro do trono. Esquece-me, pois não podemos mais estar juntos - E foi-se afastando.
Zaira olhou para o céu e disse: - Isto é para que eu aprenda que as ciganas não podem se casar com gajões. O tempo passou. Viajando daqui para lá, depois de nove meses, Zaira deu a luz uma menina e veio a falecer. Essa menina se chamou Zaina e um cigano tomou-a sob sua proteção.
Texto: Mistérios do Povo Cigano de Ana da Cigana Natasha e Edileusa da Cigana Nazira
Colaboração e Transcrição: Silvia Maya.

Cigano Pablo.

Vivi nesta terra a muito e muito tempo atrás. Quando vivo, chefiava uma tribo de ciganos que na maior parte do tempo acampava pelas terras de Andaluzia, como em minha tribo as tradições eram passadas de geração para geração e de pai para filho, herdei a chefia da tribo ainda jovem de meu pai.
Aprendi tudo que era necessário aprender com os antigos da tribo, que para nós ciganos, são as pessoas mais sábias sobre a face da terra.
Durante o tempo em que chefiei a tribo sempre recorri a eles em busca de sabedoria para solucionar problemas ou quando tinha dúvidas ou quando necessitava tomar qualquer decisão que fosse de maior responsabilidade, nunca gostei de tomar qualquer decisão, sem antes consultar a sabedoria dos antigos.
Quando nasci, fui prometido como todos os ciganos a filha de um dos ciganos da tribo, crescemos juntos e aprendemos a gostar um do outro e assim foi até atingirmos a idade necessária para contrairmos o matrimonio, enquanto isso aprendi com os antigos, todos os truques e todas as magias ciganas.
Tornei-me um grande conhecedor de magias e adquiri um pouco da sabedoria dos antigos. Chegada à época das núpcias, casamo-nos aos quinze anos de idade, aprendemos juntos como liderar a nossa tribo. Tivemos três filhos machos. Segundo a tradição todos foram prometidos e assim seguimos nossos caminhos, com muita alegria e muita fartura. Trabalhávamos arduamente cada um em seu oficio em prol da coletividade.
Com os filhos crescendo e a nossa felicidade a largos passos, começaram os problemas, o meu primogênito, ao qual cabia substitui-me na liderança da tribo, resolveu rebelar-se contra a nossa tradição, não querendo aceitar o acordo de núpcias feito entre nossa família e a de sua prometida, assim causando um conflito na tribo, como se não bastasse, resolveu envolver-se com outras moças da tribo, causando o desagrado de todos os homens que já se estavam como ele prometidos a essas moças, até que seus atos o levaram a um conflito direto com um dos jovens da aldeia, e pelas leis da tribo, levaram a um duelo pela honra.
Eu já sabia de antemão como terminaria esse duelo, pois, com a sua revolta, o meu filho não quis aprender comigo a arte de duelar, com isso encontrava-se despreparado para o duelo. Vendo-me com grande dor no coração por saber-me impotente em relação ao fato de também se fazer cumprir a lei da tribo (essa lei nunca havia sido utilizada na tribo).
Tornei-me introspectivo e voltei-me para os antigos em busca de consolo. Sabendo os antigos pelo grande amor que nutria por meu primogênito, mostraram-me que havia uma maneira não muito ortodoxa de poupar o meu filho da morte certa, porem, sendo um bom lutador e tendo o conhecimento da magia do duelo, sabia também que não deveria vencer o jovem. Assumi o lugar de meu filho (deveria morrer em seu lugar).
E assim fiz, desencarnei nas mãos de um jovem cigano irado com o fato de meu filho ter desonrado a sua prometida. Deixei em desgraça uma jovem mulher e três filhos rezando a Santa Sara para que cuidasse de todos.
Durante o tempo que me foi permitido velar por minha tribo e minha família, fiquei ao lado de todos tentando colocar algum juízo na cabeça de meu filho, esperando que depois do fato acontecido ele resolvesse aceitar o seu destino, mesmo depois de tudo o que fiz, esse meu filho ainda se rebelou com o que fiz, continuou em sua busca de algo que nem ele sabia o que era.
Nessa sua busca desse algo, foi levando em seus passos o meu segundo filho, que sem o pai, estava completamente envolvido pelo irmão mais velho, tentei de todas as maneiras que pude e me foi permitido, influenciar ao primogênito o sentido de dever, não conseguindo meu intento e vendo que o meu tempo estava se escoando, fiz o que qualquer pai amoroso faria, mudei o meu objetivo para o segundo filho, que com mais jeito que o mais velho aceitou tudo o que eu pude passar para ele.
Descobri então que com o segundo filho, tudo era mais fácil, pois, este já trazia de berço todos os dons que me foram passados por gerações, então investi neste, sempre com o intuito de regenerar o mais velho, indicando ao mais novo o caminho dos antigos, fiz com que este filho conseguisse com o seu carinho trazer o mais velho de volta, pois o segundo filho mostrou-se mais sábio que o pai e abrindo os olhos do primeiro filho o trouxe para o seio da tribo.
Depois de regenerado o meu primeiro filho retomou o seu lugar na tribo, ocupou o meu lugar, o qual o meu segundo filho controlou com muita sabedoria, ate a volta do irmão. Ai eu pude seguir o meu caminho no astral ate o dia em que pude tornar a encontrar a minha amada, e voltar a montar a minha tribo no astral.
Fonte: Site Tucpa do Vilabol
Descrição
Era moreno, de cabelos castanhos cacheados que iam até os ombros, costeletas e barbicha. Seus olhos eram esverdeados.
Quando fazia o seu pó e as suas magias, Pablo usava blusão verde-claro de mangas curtas, por cima usava um colete verde-folha; a calça era da mesma cor do colete, assim como o lenço que usava na cabeça, amarrado para o lado esquerdo.
Em dias de festa ele usava um blusão branco com mangas compridas bufantes e calças bufantes da mesma cor. Em cima do blusão vestia um colete de veludo azul-turquesa rebordado em pedras coloridas em tons claros. Na cintura usava uma faixa azul-clara brilhosa, na qual prendia o seu punhal de cabo de madrepérola. Na cabeça ele colocava um lenço azul-claro amarrado para o lado esquerdo.
Seus Adereços
Pablo usava na orelha direita uma argola de ouro com uma minúscula turquesa. No pescoço ele trazia um cordão de ouro com um pingente em forma de dado, também feito de ouro.

Sua Magia
Esse cigano adorava mexer com folhas. As suas ervas preferidas eram o cólchico e o timbó-mirim. Esta última é ramosa, de cor verde-esbranquiçada; sua flor é rosa. Essa erva dá uma vagem dentro da qual existem várias sementes iguais a um feijão, na cor azul. É da semente dessa erva que se faz o anil e era dessa semente que Pablo fazia o pó que utilizava para magias diversas.
Pablo também usava, como seu pai, um copo de couro e três dados grandes para fazer suas vidências.
A fase da lua da sua preferência era a crescente.
Oferenda para Pablo
• 250g de trigo para quibe
• 2 claras de ovos batidas em neve com açúcar cristal
• 5 gotas de anilina azul
• 1 tacho de cobre pequeno
• 4 moedas atuais
• 1 vela de 7 dias azul
• 1 incenso de sândalo
Coloque o trigo no tacho. Cubra com as claras em neve. Coloque por cima as moedas. Acenda o incenso e a vela e faça a oração:
"Meu cigano Pablo, me proteja, me ajude a nunca mais faltar dinheiro em minha vida, pelo poder da natureza,"
Deixe em casa como proteção para o seu lar.
Fonte: Mistérios do Povo Cigano
Autor: Ana da Cigana Natasha e Edileuza da Cigana Nazira - Ciganos do Passado, Espíritos do Presente de Ana da Cigana Natasha
Colaboração e Pesquisa: Silvia Maya.

 

Cigana Yasmin

Um grupo de ciganos chegou ao Chipre, a pérola do Mediterrâneo. Conta uma lenda antiga que Vênus, a deusa da beleza e do amor, nasceu das águas espumejastes de Chipre. Não é difícil compreender por que os antigos acreditavam nessa poética fabula; a ilha, fulgurante de luz e de cores, circundada por um mar límpido e azul, é realmente um lugar encantador. E esse lugar tão lindo foi testemunha de um acontecimento com a cigana Yasmin.
O grupo Natasha estava acampado em Limassol, quando as moças do grupo foram para a “água grande”(a praia) para se banhar e se divertir. Em dado momento, a cigana Nazira veio correndo e gritando desesperadamente:
- A água grande levou a cigana Yasmin!
Correram todos do grupo para a água grande, para socorrer a cigana, mas nada viram: o mar havia tragado seu corpo. Então, o Kalu revelou a todos que a cigana havia morrido. O grupo todo se ajoelhou e começou a rezar. Permaneceram ali para esperar que a água grande devolvesse o corpo da cigana. Passaram-se vinte e um dias e nada aconteceu. Quando se completaram vinte e três dias, á noite, a Lua cheia surgiu e clareou toda a ilha. O cigano Vlaz, que era o pai de Yasmin, foi para a areia e começou a rezar de olhos fechados. Em dado momento, abriu os olhos e avistou um peixe grande que, pulando, veio em sua direção. Ele ficou paralisado com o que via. A cigana Yasmin sai das águas e se dirigia a ele, dizendo:
- Pai, não fique triste. Eu não sou mais da terra, e sim as água grande. Não fique esperando meu corpo, porque ele foi engolido pelo peixe grande. Estou feliz e daqui protegerei todo o grupo Natasha. Peça a Kalu que levante o acampamento e eu irei levá-los para um lugar que tenha mais terra; e que nunca mais o grupo Natasha acampe num lugar cercado de água grande (em ilha).
Yasmin deu ao pai uma concha grande e pediu que a entregasse ao Kalu como prova de tudo o que ela dissera; e, voltando para a água grande, desapareceu.
Vlaz foi para o acampamento e revelou o acontecido ao Kalu. Na manhã seguinte, o Kalu revelou o acontecimento para o grupo e resolveram levantar acampamento. Embora tristes, sabiam que, daquele momento em diante, a cigana Yasmin seria sua protetora na água grande.
Quando os ciganos se despediram de Chipre, o povo da localidade ofereceu para cada cigano um pão. Essa é uma tradição da ilha. Depois, os ciganos foram embora de Chipre, viajando em cima da água grande para outros países. È por esse motivo que o grupo Natasha tem um enorme respeito pelo mar; é por isso, também, que os membros do grupo não energizam pedras em águas salgadas e evitam se banhar no mar.
No dia 02 de fevereiro, o grupo Natasha leva para o mar presentes para a cigana: comida, doces, Frutas, perfumes, pó-de-arroz, sabonete. Também faz um coração de flores brancas e oferece a Yasmin nas águas grandes. Todo o grupo se ajoelha na areia da praia e reza em agradecimento, pedindo proteção. Fazem isso porque essa história se passou no dia 02 de fevereiro de 1902, quando o Kalu era o cigano Romão, avô da cigana Yasmin.
Fonte: Como Descobrir e Cuidar dos Ciganos dos Seus Caminhos
Autor: Ana da Cigana Natasha.

Pesquisa: Silvia Maya.

Coluna: Silvia Maya.
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